segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
CAMAROTE REDONDO?
Ô Skol, por que vocês fizeram isso?
Depois de uma campanha publicitária inteligentíssima ou, como bem vocês disseram, "a primeira não propaganda" quando "não lançaram a skol puro malte, aquela que desceria redondo" nos levando a pensar, quebrar a cabeça , debater qual era o sentido mesmo da peça publicitária e depois de compreendermos vocês acabam com a campanha?
Dizer que tem um camarote REDONDO é matar literalmente o seguimento da campanha
Poderiam colocar, a título de sugestão, "o camarote não redondo do carnaval"; " o único camarote que não é redondo" ou ainda, " não temos um camarote redondo no carnaval" para fortalecer a ideia maravilhosa da campanha.
Não foi bem aceita a campanha? o que houve?
Embora não vá para o camarote mas senti muito a falta da criatividade agora.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Bahia: terra de vira latas musicais?
Em um simples passeio de escuna pela Baia de todos os Santos, resolvi registrar uma angústia que há muito vem me inquietando: Seremos nós baianos um povo com um sentimento de vira latas musicais? explico.
Entendendo a música como uma das manifestações artísticas mais "visíveis" e representativas de uma cultura, através dela podemos nos revelar ao mundo.
No Estado de Michigan, EUA, durante 60 dias, ouvindo rádio (diariamente) e frequentando bares e boates não ouvi uma única música que não fosse aquela produzida em língua inglesa, raras exceções como boates exclusivas para músicas latinas.. Apesar desse bairrismo, o povo americano está dizendo o que eles produzem, o que eles gostam, se identificam e se afirmam em sua produção musical.
Apesar dos clichês, se falarmos no Estado de Goiás, lembraremos da música sertaneja, do Pará o carimbó, Recife o frevo, Paraíba o forró, Rio de Janeiro o samba....e da Bahia, dentre tantas manifestações musicais possíveis temos aqui não uma música mas um movimento musical representativo de um modo de ser e viver de nosso povo, o Axé!
Este movimento se compõe de uma variedade infinita de ritmos e letras sem qualquer linearidade mostrando sua riqueza e versatilidade num processo de retroalimentação permanente. No axé, digo, não há estaticidade!
Pois bem, estas músicas identitárias, deveriam está sendo executadas nos 4 cantos da cidade: bares, restaurantes, consultórios, rádios, tvs, ônibus e embarcações num movimento de autoafirmação tendo a oportunidade de nos apresentar ao mundo através da música de rica sonoridade, ritmo e muita alegria e energia positiva.
Ao invés disso, estas mesmas instituições (excetuando-se a Educadora fm e Tve), optam em baixar a cabeça e obedecerem cegamente o que a indústria fonográfica determina qual a música deve ser executada e vendida no momento. Esta não tem nenhum tipo de preocupação com identidade, povo, empoderamento e cultura pois querem vender.
Voltando ao passeio de escuna, fiquei a refletir o que aqueles turistas (nacionais e internacionais) poderiam está pensando: atravessaram oceanos, vieram de longe para ouvirem as mesmas músicas de seus países, cidades e Estados de origem? o que há de novo aqui? em plena Baia de todos os Santos, carregada de Axé, e numa trilha sonora de músicas em inglês (não prego a não execução mas em proporções menores) e sertanejo num processo de sentimento de vira lata sempre achando que tudo que é nosso é menor numa tentativa patética de agradar subservientemente ao turista. Mas, agradar, é mostrar o que temos, nosso modo de ser e enxergar o mundo, nossa energia, nosso Axé, afinal, se for pra sairem de seus lugares de origem e não ver nada de novo corremos o risco iminente do turista sair frustrado. Somos mesmo um povo com costumes de vira latas muscais?
Saibam que é uma enorme satisfação quando alguém diz que a Bahia é a Terra do Axé!
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
REVEILLON PROPOSITIVO
Em 2017 disse em artigo que a prefeitura de Salvador estava perdendo ótima oportunidade não aproveitando a festa de fim de ano para divulgar o que a Bahia também têm em suas manifestações musicais.
Este ano de 2018 foi montada uma estrutura belíssima, local diferente e, tendo a informação de que dos cofres públicos form investidos 12 milhões de reais fiz algumas reflexões:
1. O povo precisa de festa sim, talvez não 5 dias (exagero), sabendo que teremos mais de 10 dias de festa já em fevereiro;
2. Não questiono os valores mas sim sua distribuição e, pra não ficar no discurso crítico por si só, apresento sugestões, vejamos:
a) a prefeitura tem uma divisão geopolítica interessante para processos de gestão abrangendo toda dimensão da cidade e a subdividiu em 10 grandes regiões: subúrbio I e I, cajazeiras, cabula, itapuã, liberdade, são caetano, centro, orla e pirajá.
b) em cada uma dessas regiões deveria ser montada uma estrutura padrão para que a festa de reveillon alcançasse toda a cidade inclusive mantendo a estrutura da orla.
c) em cada região teria a obrigatoriedade de abrir os shows sempre uma atração local,
d) se estabeleceria um teto de 150 mil para os artistas em evidência e a complementação dos cachês seria pela iniciativa privada e assim, Anita, Ivete, Safadão, Jorge Mateus, Pablo Vittar tocariam no mesmo horário e em locais diferentes ; seria ótimo ver Jorge e Mateus no subúrbio, Anita em cajazeiras, Ivete na liberdade...
e) na orla, além da estrutura que foi montada , na região da barra teria como colocar 4 palcos intinerantes ao longo da avenida oceânica com estilos musicais diferentes pois o que se viu foram as pessoas carentes de um som para abrilhantar a chegada do ano
f) atendidas estas propostas, paralelamente, desses mesmos 12 milhões e sem piegas, daria pra colocar ar condicionado em todas as salas de aula do município (acabando com as saunas de aula); daria ainda para oferecer a cada policial um "prolabore" de 1000 reais de incentivo; poderia ainda incentivar as próprias empresas de ônibus, colocando ar condicionado em todos os ônibus da cidade; e isso não chegaria na casa dos 2,5 milhões. Teríamos pra festa de 2 dias no máximo, 9,5 milhões. Com o aporte da iniciativa privada faríamos sim um enorme reveillon onde talvez, não atraíssemos 2 milhões de turistas como foi ventilado na midia ( números questionáveis) mas sem dúvida veríamos uma cidade inteira se sentindo contemplada numa conciliação de festa e benefício imediato através do dinheiro público.
Por fim, seria interessante os agentes do governo municipal parar com esse discurso fabricado de que "é o melhor reveillon do mundo", " o melhor da história" " o melhor de todos os tempos" pois, além de ser um clichê barato, até os números desqualificam esse discurso pois se por aqui se reuniu 700 mil pessoas no dia 31, no Rio de Janeiro foram 2,4 milhões, em Santa Cataria , Recife e Manaus, 1 milhão cada uma....Então, menos marketing e mais ações efetivas fará bem inclusive a atual administração.
terça-feira, 12 de setembro de 2017
E A LEI É PARA TODOS MESMO?
A narrativa parte da premissa de que um grupo seleto da polícia federal em busca de justiça estão dispostos a ir até as últimas consequências a partir da prisão de uma carga de palmito recheada de cocaina. O que me parece que isto é um fato verdadeiro.
Mas a narrativa se perde em cortes históricos se transformando-se em um panfleto audiovisual, vejamos:
Quando diz que o filme se passa nos períodos de 1500 até 2016, omite completamente os escândalos de corrupção no período militar;(a justiça não é para todos?) posteriormente, quando da prisão de Paulo Roberto Costa( diretor da Petrobrás) e o doleiro Yussef fazem com que os autores falem apenas e exclusivamente de doações e transações a partir do governo Lula faltando com a verdade.
A figura do ex-presidente é apresentada de forma jocosa na figura de Ari Fontoura em comportamentos de um velho gagá e com falas representando um bêbado numa completa falta de criatividade e preconceito.
Nos depoimentos do ex presidente, do doleiro e dos diretores da Petrobrás, todos são interrompidos no filme falando coisas desconexas e pela metade não ajudando que o telespectador possa criar uma linha de raciocínio a pensar sobre a concatenação dos fatos. Estas interrupções são feitas com falas, não menos desconexas de delegados da PF, juiz, gente do MP com os nomes Lula e PT reiteradamente numa cena grotesca de "inculcação" e condenação prévia.
O juiz Sérgio Moro é apresentado como uma pessoa "de família", calma, um professor comprometido mas, ao invés de herói, o próprio filme, sem querer obviamente, o apresenta como um covarde, representante da justiça que age nos porões, na surdina.
A atriz Flávia Alessandra fazendo o papel de delegada rude, justiceira, capaz, faltou-lhe o diretor orientá-la que novela é diferente de cinema e portanto, repete o único papel que ela fez na vida com as mesmas expressões, as mesmas caras, o mesmo tudo. As grandes atrizes recusaram fazer este papel? este foi meu sentimento.
Em vários momentos o público ( a sala em que eu estava (Salvador-Ba) nao tinha 15% de lotação), ria horrores, não sei porque! Uma demonstração de que o filme saiu do propósito? não sei.
Por estas omissões e inverdades apresentadas, o filme perde uma oportunidade excepcional de convencer até mesmo as pessoas mais conservadoras de que o PT foi o criador da corrupção no país e de que o ex-presidente é um verdadeiro chefe de quadrilha pois mesmo estas pessoas não conseguem, a partir do filme, obter argumentos para tal e sem dúvida estão decepcionadas.
Por fim, o filme passa a ser uma ficção e panfleto partidário mal elaborados sendo incoerente com seu próprio titulo. A arte cinematográfica se entristece!
quinta-feira, 2 de março de 2017
Mc Beijinho, cuidado.

Inúmeras questões foram suscitadas a partir do advento de “Me libera nega”: inveja do sucesso, racismo – a partir de alguns comentários – êxito, pelo crime…
O X da questão é tentar, de forma irresponsável, marketing barato e interesseiro, se apropriar de um fato banal para transformá-lo numa referência. A música em si, mistura de samba-reggae, funk e arrocha, cantada por qualquer cantor, como o próprio Beijinho, é uma canção de carnaval, ponto.
Outra coisa completamente diferente é transformar a mesma num marco musical. Forçar a barra e determiná-la como som do carnaval (sabendo-se, inclusive, que não existe “a música” do carnaval). Assim, irresponsavelmente, pode-se criar espaço para uma interpretação de que o crime compensa. Basta criar uma canção banal e aparecer na TV. Da forma como esse garoto é apresentado, se fortalece o expediente de que o crime gratifica.
O lugar dessa canção seria mais uma música “legal” de carnaval. A partir daí, se abriria as portas para sua redenção, oferecendo uma chance ao cantor. Mas não torná-lo um ícone, um astro. Em vez disso, e de apenas sugarem economicamente o MC, por que ninguém ainda lhe ofereceu uma bolsa de estudos, desde onde ele parou até o final da universidade (se assim o desejar)? Será por que Beijinho só servirá entre os dias 22 e 28 de fevereiro? Isto é o que chamo de violência.
Agora, num misto de hipocrisia e cinismo, destes que agora lhes fazem honrarias, tenta-se absolvê-lo de todos os delitos, aplicando uma mais-valia (exploração) carnavalesca. Alguém precisa avisar a Beijinho que estes mesmos, a partir da Quarta de Cinzas, voltarão a condená-lo, depois de lhe sugar comercialmente o que tinha a oferecer. Não se trata de desejar que o MC volte pra cadeia e condená-lo perpetuamente. Muito menos de condenar a Justiça por ter o liberado para o carnaval. Não se trata ainda de estar incomodado com este sucesso. O cerne da questão é o perigo de tornar este expediente prática corriqueira para a reinserção de pessoas que cometem crimes.
Beijinho, meu caro, desejo sucesso, prosperidade, mas fique de olho aberto. Tanto pelo seu passado recente e muito mais para os que agora vangloriam teu estouro musical. Porque podem estar esperando o próximo camburão ser aberto para te colocarem como mais uma estatística de cantores que não entrarão nos anais dos grandes carnavais de Salvador.
* Welber Santos é Mestre em educação, produtor de eventos e proprietário do espaço de shows Axé Vavá na cidade de Ipirá (BA)
* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Furdunço:duas preocupações
O furdunço é um dos eventos mais maravilhosos que surgiram nos últimos anos. Consegue unir: nostalgia sonora, modernidade, tranquilidade, aglutinação de famílias inteiras e muita festa.
Em
sua 4ª edição não foi diferente, porém, com duas enormes preocupações:
1º A participação do cantor Leo Santana destoa completamente da proposta
do evento. Sua música é exclusivamente comercial e já tem espaço demais para
sua manifestação. No carnaval propriamente dito é que é seu habitat pois cabe
tudo mas no furdunço pode está dando início ao fim prematuro. Abre a porta para
ano que vem participar, Igor Kanário, Saydibamaba, Pablo, Silvano sales, depois
jorge e Matheus...e ai, o furdunço vira uma extensão do carnaval e os camarotes
passam a se organizarem a partir dele. Já imaginaram? O furdunço com camarote?
Patético. Por favor organização, nada contra o artista mas ano que vem bota Léo
não ok?
2º Tem aparecido pequenos grupos de cordas tentando se individualizar
num ato violento à proposta da festa. Ontem o trio Armandinho, Dodô e Osmar que
vem trazendo pra avenida a campanha de que não precisamos de corda e um
bloquinho da Skol numa cena inconveniente na frente deste trio o que recebeu
todo repúdio do cantor André Macêdo. Me parece que estas pessoas tem
necessidade da hipervisibilidade, a exibição pura e então dou-lhe duas
sugestões: peçam a prefeitura a liberação pra fechar a estrada velha do
aeroporto e lá coloquem suas cordas, contratem seus trios e se esbaldem numa
festa somente de vocês mas pode aproveitar também e, entre o cristo e o morro
do gato, possui um morro imenso cheio de gravatás então podem sentar ali com
roupas bem vistosas pra que todo mundo os visualize. A prefeitura pode combinar
com a PM que, nestes caos, sumariamente esta possa levar tesouras e cortar sem
nenhuma conversa prévia, ahhhh, tudo tem um limite.
Fora isso, ta de parabéns a ideia da festa e também a organização e
ontem não foi diferente:
Lucas Di fiori, não o conhecia e
tem um som muito bom
Flor Serena e a rural
elétrica levando o forró pra avenida de forma autêntica
Armandinho, Dodô e
Osmar dispensa qualquer comentário
Luciano Calazans um show a parte se
ratificando como um dos melhores baixistas do País
Vitrola Baiana espetacular com a
presença marcante de Felipe Guedes, um instrumentista de grande porte de nossa nova
geração de músicos
Banda Eva nos ofereceu alegria
em ver a multidão que o seguia num processo de retomada, parabéns
Alexandre Leão com uma sonoridade e
repertório de causar inveja produziu ontem uma das melhores apresentações das 4
edições do furdunço, sem dúvida alguma
Alavontê e Baiana
System também dispensam comentários porque são apoteose
Agora muito particular, foi gratificante e muito emocionante poder ver
de perto o som de Dionorina, lágrimas rolaram de emoção.
E tantas outras atrações que fizeram uma festa maravilhosa
Agora, organização? Veja pra mim essa questão das cordas que estão
crescendo e também deixa Léo só no carnaval mesmo ok?
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Réveillon de Salvador: uma sugestão
Sem entrar nos méritos de qualidade musical nem tampouco do montante investido na festa, creio que o evento precisa ganhar outros contornos em sua estrutura.
Réveillon de Salvador tem o “status” de referência nacional, festa popular e vitrine, principalmente para os artistas, assim como é o nosso carnaval. Acontece que a prefeitura municipal, que capitaneia o evento, poderia aproveitar a oportunidade e estabelecer o mesmo como o palco de difusão dos artistas locais.
A “Cidade da Música” precisa ser vista e valorizada como tal. A Bahia, o Brasil e o mundo precisam saber que aqui temos boas referências no blues, rock, samba, reggae, mpb, jazz, salsa e, claro, no axé. Seria importante para todos nós vermos artistas como Lazzo Matumbi, Mariene de Castro, Álvaro Assmar; Riachão, Raimundo Sodré, Orquestra Neojibá, Alexandre Leão, Vânia Abreu, Roberto Mendes, Márcia Short, Simone Moreno, Márcia Castro, Muzenza, Rumpilezz, Adão Negro e tantos outros.
Muitos desses artistas estão relegados aos guetos musicais, sem vitrine. E vários continuam desprovidos de incentivos governamentais, itens que podem e devem fomentar esta economia artística, favorecendo o empoderamento cultural dos mesmos.
Portanto, o evento pode ser melhorado em duas dimensões. Primeiro, com uma grade inclusiva desse segmento de artistas baianos. Segundo, no aspecto físico, ao invés de uma concentração exclusiva na Praça Cairu (Arena Daniela Mercury), pode-se pulverizar os shows nos diversos bairros da cidade, criando inclusive novos batismos de circuitos, referendando figuras representativas de cada localidade.
Artistas de grande porte que por aqui passaram não baianos, já galgaram seus espaços nas rádios e TVs do país inteiro. Quem agora carece de visibilidade são os nossos. E mais, todos eles já estarão aqui no carnaval. É vitrine demais para um número reduzido de profissionais.
Que se pense nesta ideia: por um réveillon como palco de divulgação do que Salvador e a Bahia também têm.
* Welber Santos é Mestre em educação, produtor de eventos e proprietário do espaço de shows Axé Vavá na cidade de Ipirá (BA)
* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notíciashttp://www.bahianoticias.com.br/artigo/857-reveillon-de-salvador-uma-sugestao.html
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