Welber Santos
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Mataram o morro do gato, que pena!
No carnaval tem todo tipo de folião: o pipoca, o do camarote, o do bloco e também o pipoca que, por acaso da natureza vão ocupando espaços mais confortáveis e curtir seu carnaval numa espécie de camarote natural, gratuito mas também aconchegante não pelas condições materiais mas por virar ponto de encontro e reencontros, tranquilidade, acesso a banheiros e gastronomia próximos....
Um desses lugares mais disputados é exatamente o morro do gato, que fica ali em frente ao clube espanhol, marco simbólico que faz divisa entre a Barra e o início de Ondina.
Pois bem, em tempos de outrora bastava estar no Morro para ver todas as atrações de perto. Mas, de uns anos pra cá a coisa foi se alterando. Inventaram de colocar um DJ de um patrocinador do carnaval que tomava a frente do morro; permitiram que uma empresa de sanduíches se instalasse exatamente no centro do morro; e agora em 2019 instalaram esse monstrengo da foto de algum órgão público tomando literalmente a frente do morro.
Sabe qual resultado imediato? Reduzindo o espaço do folião esse tende a ir se esguelando no que lhe resta e a produção de brigas, apertos, roubos e furtos aumenta significativamente.
Prefeitura, ouçam os foliões e, essa estrutura ai por exemplo poderia ficar do outro lado da rua sem atrapalhar nada. Ouçam os foliões do morro do gato que tinham ao menos esse "privilégio" natural.
Tirem essa coisa dali, ainda há tempo, por favor!
Em defesa do patrimônio
Na passagem do trio com o cantor Deny Dennan, o fluxo de pessoas aumentou consideravelmente e, num processo natural, também a força incontrolável da multidão.
Em meio a esse furdunço, o ambulante, fazendo uma "barreira" individual, protege seu patrimônio, o ganha pão do carnaval.
Após o fluxo, volta a dançar majestosamente.
Esse é o carnaval que embeleza!
TRAGÉDIA ANUNCIADA?
Nos pequenos detalhes muitas vezes residem os piores perigos.
Infelizmente as tragédias vistas em nosso país por total negligência e não por eventos naturais como foram a boate kiss, o alojamento do flamengo e as barragens em Minas, nos servem, não para vivermos em paranóia mas para ficarmos mais atentos na prevenção de acidentes evitáveis.
Uma das vias mais movimentadas do carnaval enquanto via de acesso é a avenida Sabino Silva que faz inclusive a ligação entre a Barra e Ondina. Ali, além da movimentação intensa no carnaval, vendedores ambulantes literalmente passam a residir na festa momesca embaixo dos coqueiros da avenida.
Todos os anos os cocos são retirados pois, em despencando, MATA qualquer um que por acaso seja atingido.
Até hoje, dia 25 de fevereiro de 2019, fizeram uma limpeza pela metade deixando vários coqueiros carregados de frutos aumentando significativamente os riscos de um "acidente" iminente.
Como folião e cidadão, gostaria que esse apelo pudesse chegar aos responsáveis (Saltur, Cemop, limpeza pública...) para dirimir esta situação preocupante ou vamos esperar um coco matar alguém por achar que isso nunca aconteceu?
Avisar nunca é demais!
CORDAS NO FURDUNÇO? QUE É ISSO?
A prefeitura de Salvador, junto com a SALTUR e também em parceria com a Polícia Militar da Bahia precisam agir urgentemente.
O furdunço foi uma das maiores criações positivas para as festas de rua de Salvador por inúmeros aspectos, dentre eles
1. É uma festa que cria a possibilidade do soteropolitano, que viaja no carnaval, poder curtir uma festa de rua;
2. Como não cabe trios elétricos de grande potência, cria espaço para outros artistas poderem apresentarem sua música e portanto, o evento enfatiza nossa diversidade musical e,
3. É genuinamente uma festa de rua, sem blocos de cordas porque a natureza do evento não permite.
Pois bem, tem aparecido grupos de amigos criando blocos (ótimo isso) porém, com cordas segregando uma festa que é genuinamente pública, gratuita, paga com recursos públicos ou viabilizados pelo poder público.
No mínimo é incoerente pois dá a entender que são pessoas que não suportam se dissolverem na multidão e ser mais um e optam pelo destaque, individualismo, estrelismo maculando a festa que é de todos.
Portanto, faço um apelo às instituições acima citadas para que encontrem uma forma de não permitir a segregação da festa e, na radicalidade, que permita aos Policiais irem à festa com uma tesoura e serem autorizados a cortar as cordas num ato simples e objetivo.
É preocupante porque a cada ano tem aumentados esse tipo de bloco.
CAMAROTE REDONDO?
Ô Skol, por que vocês fizeram isso?
Depois de uma campanha publicitária inteligentíssima ou, como bem vocês disseram, "a primeira não propaganda" quando "não lançaram a skol puro malte, aquela que desceria redondo" nos levando a pensar, quebrar a cabeça , debater qual era o sentido mesmo da peça publicitária e depois de compreendermos vocês acabam com a campanha?
Dizer que tem um camarote REDONDO é matar literalmente o seguimento da campanha
Poderiam colocar, a título de sugestão, "o camarote não redondo do carnaval"; " o único camarote que não é redondo" ou ainda, " não temos um camarote redondo no carnaval" para fortalecer a ideia maravilhosa da campanha.
Não foi bem aceita a campanha? o que houve?
Embora não vá para o camarote mas senti muito a falta da criatividade agora.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Bahia: terra de vira latas musicais?
Em um simples passeio de escuna pela Baia de todos os Santos, resolvi registrar uma angústia que há muito vem me inquietando: Seremos nós baianos um povo com um sentimento de vira latas musicais? explico.
Entendendo a música como uma das manifestações artísticas mais "visíveis" e representativas de uma cultura, através dela podemos nos revelar ao mundo.
No Estado de Michigan, EUA, durante 60 dias, ouvindo rádio (diariamente) e frequentando bares e boates não ouvi uma única música que não fosse aquela produzida em língua inglesa, raras exceções como boates exclusivas para músicas latinas.. Apesar desse bairrismo, o povo americano está dizendo o que eles produzem, o que eles gostam, se identificam e se afirmam em sua produção musical.
Apesar dos clichês, se falarmos no Estado de Goiás, lembraremos da música sertaneja, do Pará o carimbó, Recife o frevo, Paraíba o forró, Rio de Janeiro o samba....e da Bahia, dentre tantas manifestações musicais possíveis temos aqui não uma música mas um movimento musical representativo de um modo de ser e viver de nosso povo, o Axé!
Este movimento se compõe de uma variedade infinita de ritmos e letras sem qualquer linearidade mostrando sua riqueza e versatilidade num processo de retroalimentação permanente. No axé, digo, não há estaticidade!
Pois bem, estas músicas identitárias, deveriam está sendo executadas nos 4 cantos da cidade: bares, restaurantes, consultórios, rádios, tvs, ônibus e embarcações num movimento de autoafirmação tendo a oportunidade de nos apresentar ao mundo através da música de rica sonoridade, ritmo e muita alegria e energia positiva.
Ao invés disso, estas mesmas instituições (excetuando-se a Educadora fm e Tve), optam em baixar a cabeça e obedecerem cegamente o que a indústria fonográfica determina qual a música deve ser executada e vendida no momento. Esta não tem nenhum tipo de preocupação com identidade, povo, empoderamento e cultura pois querem vender.
Voltando ao passeio de escuna, fiquei a refletir o que aqueles turistas (nacionais e internacionais) poderiam está pensando: atravessaram oceanos, vieram de longe para ouvirem as mesmas músicas de seus países, cidades e Estados de origem? o que há de novo aqui? em plena Baia de todos os Santos, carregada de Axé, e numa trilha sonora de músicas em inglês (não prego a não execução mas em proporções menores) e sertanejo num processo de sentimento de vira lata sempre achando que tudo que é nosso é menor numa tentativa patética de agradar subservientemente ao turista. Mas, agradar, é mostrar o que temos, nosso modo de ser e enxergar o mundo, nossa energia, nosso Axé, afinal, se for pra sairem de seus lugares de origem e não ver nada de novo corremos o risco iminente do turista sair frustrado. Somos mesmo um povo com costumes de vira latas muscais?
Saibam que é uma enorme satisfação quando alguém diz que a Bahia é a Terra do Axé!
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
REVEILLON PROPOSITIVO
Em 2017 disse em artigo que a prefeitura de Salvador estava perdendo ótima oportunidade não aproveitando a festa de fim de ano para divulgar o que a Bahia também têm em suas manifestações musicais.
Este ano de 2018 foi montada uma estrutura belíssima, local diferente e, tendo a informação de que dos cofres públicos form investidos 12 milhões de reais fiz algumas reflexões:
1. O povo precisa de festa sim, talvez não 5 dias (exagero), sabendo que teremos mais de 10 dias de festa já em fevereiro;
2. Não questiono os valores mas sim sua distribuição e, pra não ficar no discurso crítico por si só, apresento sugestões, vejamos:
a) a prefeitura tem uma divisão geopolítica interessante para processos de gestão abrangendo toda dimensão da cidade e a subdividiu em 10 grandes regiões: subúrbio I e I, cajazeiras, cabula, itapuã, liberdade, são caetano, centro, orla e pirajá.
b) em cada uma dessas regiões deveria ser montada uma estrutura padrão para que a festa de reveillon alcançasse toda a cidade inclusive mantendo a estrutura da orla.
c) em cada região teria a obrigatoriedade de abrir os shows sempre uma atração local,
d) se estabeleceria um teto de 150 mil para os artistas em evidência e a complementação dos cachês seria pela iniciativa privada e assim, Anita, Ivete, Safadão, Jorge Mateus, Pablo Vittar tocariam no mesmo horário e em locais diferentes ; seria ótimo ver Jorge e Mateus no subúrbio, Anita em cajazeiras, Ivete na liberdade...
e) na orla, além da estrutura que foi montada , na região da barra teria como colocar 4 palcos intinerantes ao longo da avenida oceânica com estilos musicais diferentes pois o que se viu foram as pessoas carentes de um som para abrilhantar a chegada do ano
f) atendidas estas propostas, paralelamente, desses mesmos 12 milhões e sem piegas, daria pra colocar ar condicionado em todas as salas de aula do município (acabando com as saunas de aula); daria ainda para oferecer a cada policial um "prolabore" de 1000 reais de incentivo; poderia ainda incentivar as próprias empresas de ônibus, colocando ar condicionado em todos os ônibus da cidade; e isso não chegaria na casa dos 2,5 milhões. Teríamos pra festa de 2 dias no máximo, 9,5 milhões. Com o aporte da iniciativa privada faríamos sim um enorme reveillon onde talvez, não atraíssemos 2 milhões de turistas como foi ventilado na midia ( números questionáveis) mas sem dúvida veríamos uma cidade inteira se sentindo contemplada numa conciliação de festa e benefício imediato através do dinheiro público.
Por fim, seria interessante os agentes do governo municipal parar com esse discurso fabricado de que "é o melhor reveillon do mundo", " o melhor da história" " o melhor de todos os tempos" pois, além de ser um clichê barato, até os números desqualificam esse discurso pois se por aqui se reuniu 700 mil pessoas no dia 31, no Rio de Janeiro foram 2,4 milhões, em Santa Cataria , Recife e Manaus, 1 milhão cada uma....Então, menos marketing e mais ações efetivas fará bem inclusive a atual administração.
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