terça-feira, 12 de setembro de 2017

E A LEI É PARA TODOS MESMO?

A narrativa parte da premissa de que um grupo seleto da polícia federal em busca de justiça estão dispostos a ir até as últimas consequências a partir da prisão de uma carga de palmito recheada de cocaina. O que me parece que isto é um fato verdadeiro.
Mas a narrativa se perde em cortes históricos se transformando-se em um panfleto audiovisual, vejamos:
Quando diz que o filme se passa nos períodos de  1500 até 2016, omite completamente os escândalos de corrupção no período militar;(a justiça não é para todos?) posteriormente, quando da prisão de Paulo Roberto Costa( diretor da Petrobrás) e o doleiro Yussef fazem com que os autores falem apenas e exclusivamente de doações e transações a partir do governo Lula faltando com a verdade.
A figura do ex-presidente é apresentada de forma jocosa na figura de Ari Fontoura em comportamentos de um velho gagá e com falas representando um bêbado numa completa falta de criatividade e preconceito.
Nos depoimentos do ex presidente, do doleiro e dos diretores da Petrobrás, todos são interrompidos no filme falando coisas desconexas e pela metade não ajudando que o telespectador possa criar uma linha de raciocínio a pensar sobre a concatenação dos fatos. Estas interrupções são feitas  com falas, não menos desconexas de delegados da PF, juiz, gente do MP com os nomes Lula e PT reiteradamente numa cena grotesca de "inculcação" e condenação prévia.
O juiz Sérgio Moro é apresentado como uma pessoa "de família", calma, um professor comprometido mas, ao invés de herói, o próprio filme, sem querer obviamente, o apresenta como um covarde, representante da justiça que age nos porões, na surdina.
A atriz Flávia Alessandra fazendo o papel de delegada rude, justiceira, capaz, faltou-lhe o diretor orientá-la que novela é diferente de cinema e portanto, repete o único papel que ela fez na vida com as mesmas expressões, as mesmas caras, o mesmo tudo. As grandes atrizes recusaram fazer este papel? este foi meu sentimento.
Em vários momentos o público ( a sala em que eu estava (Salvador-Ba) nao tinha 15% de lotação), ria horrores, não sei porque! Uma demonstração de que o filme saiu do propósito? não sei.
Por estas omissões e inverdades apresentadas, o filme perde uma oportunidade excepcional de convencer até mesmo as pessoas mais conservadoras de que o PT foi o criador da corrupção no país e de que o ex-presidente é um verdadeiro chefe de quadrilha pois mesmo estas pessoas não conseguem, a partir do filme, obter argumentos para tal e sem dúvida estão decepcionadas.
Por fim, o filme passa a ser uma ficção e panfleto partidário mal elaborados sendo incoerente com seu próprio titulo. A arte cinematográfica se entristece!