terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Bahia: terra de vira latas musicais?


     Em um simples passeio de escuna pela Baia de todos os Santos, resolvi registrar uma angústia que há muito vem me inquietando: Seremos nós baianos um povo com um sentimento de vira latas musicais? explico.
     Entendendo a música como uma das manifestações artísticas mais "visíveis"  e representativas de uma cultura, através dela podemos nos revelar ao mundo.
     No Estado de Michigan, EUA, durante 60 dias, ouvindo rádio (diariamente) e frequentando bares e boates não ouvi uma única música que não fosse aquela produzida em língua inglesa, raras exceções como  boates exclusivas para músicas latinas.. Apesar desse bairrismo, o povo americano está dizendo  o que eles produzem, o que eles gostam, se identificam e se afirmam em sua produção musical.
     Apesar dos clichês, se falarmos no Estado de Goiás, lembraremos da música sertaneja, do Pará o carimbó, Recife o frevo, Paraíba o forró, Rio de Janeiro o samba....e da Bahia, dentre tantas manifestações musicais possíveis temos aqui não uma música mas um movimento musical representativo de um modo de ser e viver de nosso povo, o Axé!
     Este movimento se compõe de uma variedade infinita de ritmos e letras sem qualquer linearidade mostrando sua riqueza e versatilidade num processo de retroalimentação permanente. No axé, digo, não há estaticidade!
     Pois bem, estas músicas identitárias, deveriam está sendo executadas nos 4 cantos da cidade:  bares, restaurantes, consultórios, rádios, tvs, ônibus e embarcações num movimento de autoafirmação tendo a oportunidade de nos apresentar ao mundo através da música de rica sonoridade, ritmo e muita alegria e energia positiva.
     Ao invés disso, estas mesmas instituições (excetuando-se a Educadora fm e Tve),  optam em baixar a cabeça e obedecerem cegamente o que a indústria fonográfica determina qual a música deve ser executada e vendida no momento. Esta não tem nenhum tipo de preocupação com identidade, povo, empoderamento e cultura pois querem vender. 
     Voltando ao passeio de escuna,  fiquei a refletir o que aqueles turistas (nacionais e internacionais) poderiam está  pensando: atravessaram oceanos, vieram de longe para ouvirem as mesmas músicas de seus países, cidades e Estados de origem? o que há de novo aqui? em plena Baia de todos os Santos, carregada de Axé, e numa trilha sonora de músicas em inglês (não prego a não execução mas em proporções menores) e sertanejo num processo de sentimento de vira lata sempre achando que tudo que é nosso é menor  numa tentativa patética de agradar subservientemente ao turista. Mas, agradar, é mostrar o que temos, nosso modo de ser e enxergar o mundo, nossa energia, nosso Axé, afinal, se for pra sairem de  seus lugares de origem e não ver nada de novo corremos o risco iminente do turista sair frustrado. Somos mesmo um povo com costumes de vira latas muscais?
     Saibam que é uma enorme satisfação quando alguém diz que a Bahia é a Terra do Axé!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

REVEILLON PROPOSITIVO


Em 2017 disse em artigo que a prefeitura de Salvador estava perdendo ótima oportunidade não aproveitando a festa de fim de ano para divulgar o que a Bahia também têm em suas manifestações musicais.
Este ano de 2018 foi montada uma estrutura belíssima, local diferente e, tendo a informação de que dos cofres públicos form investidos 12 milhões de reais fiz algumas reflexões:

1. O povo precisa de festa sim, talvez não 5 dias (exagero), sabendo que teremos mais de 10 dias de festa já em fevereiro;
2. Não questiono os valores  mas sim sua distribuição e, pra não ficar no discurso crítico por si só, apresento sugestões, vejamos:
      a) a prefeitura tem uma divisão geopolítica interessante para processos de gestão abrangendo toda dimensão da cidade e a subdividiu em 10 grandes regiões: subúrbio I e I, cajazeiras, cabula, itapuã, liberdade, são caetano, centro, orla e pirajá. 
      b) em cada uma dessas regiões deveria ser montada uma estrutura padrão para que a festa de reveillon alcançasse toda a cidade inclusive mantendo a estrutura da orla.
      c) em cada região teria a obrigatoriedade de abrir os shows sempre uma atração local,
      d) se estabeleceria um teto de 150 mil para os artistas em evidência e a complementação dos cachês seria pela iniciativa privada e assim, Anita, Ivete, Safadão, Jorge Mateus, Pablo Vittar tocariam no mesmo horário e em locais diferentes ; seria ótimo ver Jorge e Mateus no subúrbio, Anita em cajazeiras, Ivete na liberdade...
      e) na orla, além da estrutura que foi montada , na região da barra teria como colocar 4 palcos intinerantes ao longo da avenida oceânica com estilos musicais diferentes pois o que se viu foram as pessoas carentes de um som para abrilhantar a chegada do ano
      f) atendidas estas propostas, paralelamente, desses mesmos 12 milhões e sem piegas, daria pra colocar ar condicionado em todas as salas de aula do município (acabando com as saunas de aula); daria ainda para oferecer a cada policial um "prolabore" de 1000 reais de incentivo; poderia ainda incentivar as próprias empresas de ônibus, colocando ar condicionado em todos os ônibus da cidade; e isso não chegaria na casa dos 2,5 milhões. Teríamos pra festa de 2 dias no máximo, 9,5 milhões. Com o aporte da iniciativa privada  faríamos sim um enorme reveillon onde talvez, não atraíssemos 2 milhões de turistas como foi ventilado na midia ( números questionáveis) mas sem dúvida veríamos uma cidade inteira se sentindo contemplada numa conciliação de festa e benefício imediato através do dinheiro público.
Por fim, seria interessante os agentes do governo municipal parar  com esse discurso fabricado de que "é o melhor reveillon do mundo", " o melhor da história" " o melhor  de todos os tempos" pois, além de ser um clichê barato, até os números desqualificam esse discurso pois se por aqui se reuniu 700 mil pessoas no dia 31, no Rio de Janeiro foram 2,4 milhões, em Santa Cataria , Recife e Manaus, 1 milhão cada uma....Então, menos marketing e mais ações efetivas fará bem inclusive a atual administração.