"O Axé precisa se renovar!" Isto já virou um mote mas fico a me peguntar até que ponto esta renovação significa e até que ponto não se trata de uma tentativa de justificação, explico:
Quando se pede pra alguém ou algo se renovar é porque está estático e portanto, precisa inventar algo novo, precisa mudar, alternar, metamorfosear...O Axé, enquanto "modus" musical tem estilo próprio caracterizado exatamente pela heterogeneidade, fusão de ritmos mas com determinadas características peculiares: a evidência da percussão, muito swingue e letras que digam algo, do mais simples até questões de afirmação de identidade passando por questões sociais e, claro, de amor tudo com muita poesia.
É bem verdade que quando se fala que o carnaval de Salvador tem momentos que está chato é muito mais por uma estrutura estática do que necessariamente pelo aspecto musical pois se sabe que todo sábado de carnaval às 15:33 o trio tal vai estar em tal local tocando a mesma música de 8 anos atras.
Quando se pede e exige mudança no Axé é preocupante no sentido de que este pedido acaba produzindo desprezos. Renovar o Axé seria passar a tocar um "sertanejo" axezado? Seria arrochar o Axé? Seria em ultima instância tirar sua identidade e se adaptar docilmente ao que se toca nas rádios no momento?
Há um desprezo literal a Luiz Caldas que produz 1 cd por mês há dois anos seguidos, despreza Ivete Sangalo, Tomate, Gerõnimo, Olodum, Ilê Ayê, Muzenza, Bankoma, Saulo, Alavontê, Daniela Mercury, Carlinhos Brawn, Bel Marques, Magary Lord, Banda Eva, Timbalada
Por outro lado, este pedido seria uma tentativa que os meios de comunicação baianos encontraram para justificarem sua covardia em peitar a indústria fonográfica e mostrar que na Bahia se ouve do pagodão, arrocha , rock e sertanejo mas que aqui é sim, também, a Terra do Axé e com muito orgulho.
Toda mudança permanente é sempre bem vinda mas isso , boa parte de nossos artistas do Axé estão fazendo, mas uma mudança para se adaptar cegamente a um determinado mercado matando nossa musicalidade sem dúvida não é desejável. Reflitamos!

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