domingo, 6 de setembro de 2015
TRÂNSITO DE SALVADOR: QUESTÃO DE IDENTIDADE!
O problema do trânsito em Salvador é uma questão de identidade! Isso mesmo! Não é questão de novas vias, novos semáforos, transporte alternativo...somente!
Identidade tem o sentido aqui de: quem sou eu? o que é de minha responsabilidade? o que posso ou não fazer? Vejamos.
Para ilustrar minha afirmativa falarei sobre 4 sujeitos do processo: motorista de ônibus, motorista de carro de passeio, taxistas e motoqueiros.
Arrisco-me a afirmar que mais de 90% dos motoristas de ônibus não têm ciência de que o serviço que eles prestam é um serviço público. Assim, eles param nos pontos quando estão afim, dirigem o veiculo com uma velocidade que parecem que querem bater algum record; se aborrecem quando o cidadão dá a mão quando o ônibus já está bem próximo do ponto, dirigem como se o carro fosse particular de pequeno porte e sem nenhum compromisso ou responsabilidade pública.
O motorista de carro de passeio é muito ilustrativo: em seu carro ouvindo o rádio ele reclama de tudo: do governo, do motorista de ônibus que não o deixou passar, do motoqueiro...mas é incapaz de frear 2 a 4 segundos pra deixar o outro motorista passar; pra ele as setas não existem ou entende ao contrário; quando alguém sinaliza que vai entrar à direita ao invés dele reduzir ele acelera, exatamente pra não deixar a pessoa passar; este motorista reclama do número de radares na cidade porque ele "precisa" andar como bem quer e esquece que os radares só existem em função dele pois não respeita as leis de trânsito. E por falar nisso, aqui em Salvador, o cidadão não se arrisca a passar em faixa de pedestre mesmo o sinal estando fechado para os carros. Enquanto não ver que todos os carros estão parados ele não atravessa pois o risco é enorme de ser atropelado. Ele corta pela direita porque está com muita pressa e segundos depois quando seu colega de trânisto o faz com ele, tadinha da mãe desse rapaz!!!!
Então chegamos aos taxistas! poderiamos chamá-los de uma classe bipolar. No carnaval, eles fazem uma leitura do perfil físico da pessoa e, identificando que é de Salvador fazem de tudo pra não levar pra canto nenhum. O foco é o turista! Após carnaval, não pode ver ninguém coçando a cabeça no meio da rua que já vão parando e levam at na próxima esquina; só faltam servir cafezinho. O taxista se incorporou de um perfil que ele acha que faixa exclusiva pra ônibus se estende também a eles. Se estão levando um "turista" ao aeroporto por exemplo; todos têm de abrir um corredor exclusivo pois o direito é sempre dele passar.
Finalmente, chegamos aos motoqueiros! Por vezes este compreende que sua moto ganhou vida. Então ele passa por cima das passarelas, por cima das calçadas...O motoqueiro acha que o trânsito foi feito em função dele. Então os carros têm de parar para sua senhoria passar, no engarrafamento buzinam de tal forma que a sensação é de que os carros deveriam flutuar para que eles pudessem fazer seu percurso sem perturbação alguma. O motoqueiro deve ter a certeza de que quando foi tirar sua carteira de habilitação estava la no código de trânsito o seguinte parágrafo único: ESTE CÓDIGO NÃO SE APLICA AOS MOTOQUEIROS.
Portanto, se cada agente aqui citado se incorporasse de seu papel no trânsito, a construção de novas vias e transportes alternativos seriam um fantástico complemento mas não o foco central do trânsito. Talvez fosse mais salutar que os poderes públicos, ao invés de investirem mais em agentes de trânsito e radares, investissem em terapeutas de trânsito a fim de que cada um passasse a compreender mais seu papel e suas responsabilidades no trânsito da cidade.
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